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Panlexia
- Histórico do método |
Zeneida Bittencourt Luczynski
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Fone 041-242-8589
Acredito
oportuno realçar que o Método Panlexia é
o primeiro que está construído segundo as
características fonema x grafema do idioma português,
falado e escrito no Brasil. E que este é um trabalho
de grande monta e delicado em suas características,
e que foi criado por Pamela Kvilekval com a co-autoria
de Mônica Luczynski, Mestranda em Educação
Especial em Roma, e que tem o idioma português como
sua primeira língua, condição essencialmente
fundamental nesse trabalho.
PANLEXIA
é um Método de orientação
diagnóstica e um Programa abrangente de assistência
pedagógica ao indivíduo disléxico.
É o resultado de longos anos de pesquisas e experiências
compartilhadas por diferentes fontes de informação.
E se
torna interessante perceber que muitas dessas influências
vieram do trabalho cooperativo de profissionais ligados
a domínios nos quais crianças disléxicas
eram observadas e assistidas.
Dentre
as primeiras influências que alicerçaram
a construção progressiva do
Método PANLEXIA, destaca-se o trabalho de um
professor de lingüística da Yale University,
Leonard BLOOMFIELD, cujo filho era disléxico.
Ele formulou o conceito
que "Seria melhor ensinar leitura a estudantes
disléxicos, através da introdução
de elementos consistentes do idioma escrito primeiramente,
e só então, depois de estabelecidas essas
conexões, ir acrescentando, paulatinamente, os
padrões menos comuns de soletração".
Ele deu o nome de "Lingüística Estruturada"
a essa forma
de abordagem pedagógica. E desde então
(1933), muitos pesquisadores famosos
vêm investigando os inúmeros aspectos da
Dislexia e diferentes programas
remediativos de ensino têm sido publicados nos
Estados Unidos. Estão incluídos entre
esses pesquisadores: N.Dale BRYANT, John MONEY, Samuel
ORTON, MASLAND,GESCHWIND, GALABURDA.
Já
na década de 1960, o Dr. Jesse GRIMES, Ph.D da
Harvard University, foi
convidado pelas Escolas Públicas Newton, em Newton,
Massachusetts, EUA, para investigar qual seria o melhor
dentre os três métodos de iniciação
à leitura que eram, então, formas típicas
de ensino utilizadas em programas de leitura:
fonético - visual/global - lingüístico
estruturado
Essa
pesquisa realizada pelo Dr. Grimes incluiu 30 salas
de aula, envolvendo 10 classes em cada uma das três
abordagens típicas de leitura, e foi desenvolvida
com a seguinte orientação prognóstica:
bons leitores - leitores em nível médio
- pobres leitores
A
avaliação do resultado dessa pesquisa
deixou claro que a Leitura Lingüística Estruturada
obteve os melhores resultados em todas as categorias.
Entretanto, desde que nessa abordagem lingüística
foram incluídos métodos específicos
de ensino desenvolvidos e supervisionados pelo Dr.Grimes,
e não tão somente a técnica de
leitura segmentada em elementos lingüísticos,
seus resultados foram ignorados àquela época.
Em virtude disso, não ficou estabelecido o conceito
de que o ensino da leitura em séries lingüísticas
era mais eficiente em si, e por si mesmo. Porém,
ficou evidenciado que os métodos de ensino de
leitura desenvolvidos pelo Dr. Grimes, constituíam-se
na chave-mestra do grande sucesso do Programa Estruturado
em Leitura Lingüística.
O filho e o neto do Dr Grimes eram disléxicos,
e ele desenvolveu esses métodos de ensino para
ajudá-los no aprendizado da leitura. Ele havia
sido treinado, inicialmente, em métodos baseados
em técnicas Orton-Gillinghan de ensino para estudantes
disléxicos, porém desenvolveu e aprimorou
outras técnicas que ele comprovou serem essenciais
para ensinar o disléxico a ler. Dentre essas
técnicas está incluído o treinamento
para desenvolvimento da consciência fonológica,
que somente nos últimos poucos anos têm
sido reconhecido por pesquisadores famosos como um componente-chave
do sucesso alcançado no aprendizado de leitura
e soletração. Essas técnicas pedagógicas
com base em ensino terapêutico em lingüística
estruturada, em que está alicerçado o
Método Panlexia, teve comprovada sua eficiência
para ensinar o disléxico, mais uma vez, em recente
e importante trabalho de pesquisa desenvolvido pela
Dra. Sally Shaywitz e sua equipe da Yale University.
As
Escolas Newton, em 1968, confiaram ao Dr. Grimes a responsabilidade
de dirigir seu novo programa de ensino diferencial para
alunos com Dificuldades de Aprendizado.Isto aconteceu
antes da aprovação de Leis Estaduais e
Federais requeridas para orientar programas como esse.
Pamela
KVILEKVAL, educadora especializada em Dificuldades de
Aprendizado, teve o privilégio de fazer parte
do primeiro grupo de profissionais treinados diretamente
pelo
Dr. Grimes. E depois de três meses engajada nesse
trabalho dinâmico de ensino, ela se tornou sua
assistente, supervisionando diretamente os professores
de educação especial.
Transcorridos dois anos como assistente do Dr. Grimes
e como supervisora do Curso de Instrução
Terapêutica que ele ministrava, assistindo a mais
de 200 disléxicos durante o ano escolar e em
programas especiais de verão, Pamela foi nomeada
para dirigir o Programa de Dificuldades de Aprendizado
das Escolas Públicas de Andover, em Andover,
Massachusetts. Pamela foi indicada para esse cargo por
membros do Departamento de Educação do
Estado de Massachusetts, depois que eles analisaram
as técnicas de ensino das Escolas Newton e avaliaram
como "Muito favorável" o programa terapêutico
que era, então, desenvolvido naquelas escolas.
Em
paralelo, o Dr. Grimes também capacitou seu grupo
de educadores em técnicas de desenvolvimento
e uso de materiais, como recurso coadjuvante essencialmente
complementar em seu programa de ensino. Mas, desprendido,
ele nunca teve interesse em formalizar o registro escrito
desse seu trabalho. Por isso, quando um manual de treinamento
foi requerido para as escolas de Andover, o Dr. Grimes
autorizou e estimulou Pamela a escrever o Manual Básico,
com 70 páginas, para dar início ao treinamento
de 15 membros do corpo docente das Escolas de Andover.
Esses profissionais não eram formalmente especializados,
mas compunham um grupo comprometido com esse ensino
diferencial, muitos dos quais eram motivados por estarem
diretamente envolvidos no ensino de crianças
com dificuldades de aprendizado. E por isso, eles estavam
determinados a desenvolver um eficiente programa de
apoio pedagógico aos estudantes disléxicos,
em suas escolas.
Àquela época, não havia nenhum
programa de graduação universitária
para formar esses especialistas, em Massachusetts. Mas,
com o passar dos anos, esse Programa de Treinamento
com estrutura fundamentada nas características
fonema x grafema do idioma inglês por Pamela,
evoluiu de 70 páginas para 700 páginas,
publicadas em seis volumes, com o título: "Um
Programa para Dificuldades Específicas de Linguagem".
Programa abrangente que se constitui, hoje, como base
na formulação de muitos outros programas
de treinamento de profissionais em Dificuldades de Aprendizado,
em diferentes sistemas escolares.
Depois de 4 anos como Supervisora em programas de Dificuldades
de Aprendizado e 10 anos como Administradora em Educação
Especial, responsável por todos os programas
de Educação Especial em Andover, sob Leis
Estaduais e Nacionais, Pamela se tornou Consultora em
Educação Especial na Itália. Como
fôra professora e supervisora em escolas internacionais
em Milão e Roma, nos primeiros anos de sua vida
profissional, ela sempre desejou retornar a Roma. Por
isto, desde 1986, Pamela é Consultora em escolas
internacionais na Itália, e Supervisora de ensino
diferencial para estudantes disléxicos.
Porque
na Itália não existe, ainda, programas
pedagógicos especializados em Dislexia, muitos
médicos e psiquiatras italianos têm encaminhado
crianças disléxicas italianas para serem
assistidas pela equipe de Pamela. Por isto, ela se impôs
o que se lhe constituiu num verdadeiro desafio: traduzir
e construir seu programa de ensino também dentro
da base estrutural fonética do idioma italiano.
Para isso, no início ela teve que estabelecer
a estrutura lingüística fonema x grafema
do idioma italiano, o que foi mais simples de ser feito
do que ao estruturar o Programa em seu idioma-pátrio:
o inglês. Isso porque a língua italiana
é pronunciada quase que exatamente da mesma forma
como é escrita. No início desse árduo
trabalho, Pamela desenvolveu listas de palavras para
as lições de cada dia. E, na evolução
progressiva da formulação de seu Método,
as listas precisas de palavras e de exercícios
de ditado passaram a ser agrupadas em manuais. Então,
o que ainda precisava ser feito era criar histórias
com o componente essencial de adequar-se a cada uma
das lições, seguidas as características
da estrutura lingüística do idioma italiano.
Enquanto
diversos livros de leitura, lingüisticamente estruturados,
estavam sendo publicados para serem utilizados em programas
em inglês, não existia nenhum livro em
Italiano. Por isso, Nelly Melone, mãe de um dos
estudantes disléxicos de Pamela, afirmou que
poderia tentar criar essas histórias. E ela foi
admiravelmente bem sucedida. E, assim, foi publicada:
"Le Storie di Zia Lara", ao mesmo tempo e
como um encarte do "IL Método Panlexia".
E são esses livros que compõem o primeiro
programa educacional terapêutico de assistência
pedagógica ao disléxico, publicado na
Itália. Enquanto muitos livros têm sido
escritos sobre Dislexia na Itália, não
havia nenhum programa com um Método de instrução
pedagógica, como qualquer indicação
orientada à criação e ao uso de
materiais didáticos específicos, o que
se constitui em técnica coadjuvante essencial
em programas de ensino diferencial para assistir ao
estudante disléxico.
Era
assim até o ano de 1998.
Hoje,
porém, a Itália está na segunda
publicação do Programa IL MÉTODO
PANLEXIA, que ainda continua sendo o único programa
publicado naquele país.
Professores,
psicólogos e terapeutas da fala têm sido
treinados, através de toda a Itália, nos
seguintes cursos de Pamela Kvilekval:
REABILITAÇÃO
DA DISLEXIA - IDENTIFICAÇÃO PRECOCE DAS
DIFICULDADES DE APRENDIZADO - REABILITAÇÃO
DA DISCALCULIA - ORIENTAÇÃO PARA PAIS
DE CRIANÇAS COM DIFICULDADES POR DEFICIÊNCIA
DE ATENÇÃO.
Além
do programa IL Método Panlexia de identificação
de diferentes formas de dificuldades de aprendizado,
nas quais a Dislexia tem prevalência, bem como
referente à técnicas pedagógicas
de ensino diferencial em Dislexia, Pamela desenvolveu
uma versão Italiana do "Preschool Screening
System", de Peter Hainsworth e Marian Hainsworth,
publicado por ANICIA-2002. Trata-se de um programa de
identificação precoce de diferentes formas
dificuldades em crianças em idade entre 2½
a 6 anos, através de sintomas e sinais característicos
que as pré-dispõem a virem a apresentar
dificuldades em seu aprendizado escolar. Crianças
que, se integradas também precocemente em adequado
programa pedagógico preventivo, em sua grande
maioria poderão vir a superar completamente suas
dificuldades.
Com permissão de seus autores, Pamela está
estruturando uma versão do Preschool Screening
System para ser publicado também em língua
portuguesa e validado em escolas brasileiras.
Pamela também escreveu dois pequenos livros com
a co-autoria de outros membros da Associação
Italiana de Dislexia, estabelecendo uma fundamentação
teórica e prática de como apoiar o trabalho
do professor em sala de aula.
Nos
últimos dois anos, Pamela foi eleita para o Consiglio
Direttivo (Conselho Diretor) da Associazione Italiana
Dislessia, que foi criada há sete anos. Ela é
o único membro desse Conselho que não
tem nacionalidade italiana. Essa organização
nacional italiana é composta por membros que
vivem em mais de 50 cidades da Itália.
A
Associazione Italiana Dislessia requereu ao Congresso
Nacional (Câmara dos Deputados) uma nova Lei que
propõe apoio aos estudantes disléxicos
daquele país.
A
Itália desperta para a realidade da Dislexia.
O
Brasil também começa a despertar! |